segunda-feira, outubro 01, 2012

Rascunho...




Sentado a mesa em seu quarto, lápis e papel de rascunho nas mãos. Ele pretendia escrever sobre o amor, mas nada lhe vinha à cabeça. Já fazia um bom tempo que nada acontecia a ele. Ele apenas... Cumpria com os seus compromissos, divertia-se algumas vezes, um ou outro encontro casual, mas nada de extraordinário. “Talvez seja assim com todos”, ele acreditava. “Também, se tudo acontecesse o tempo todo, não haveria peito para absorver todas as sensações. Talvez a inércia seja um mecanismo de defesa”, disse ele justificando para si mesmo. Talvez, pois ele não tinha certeza de nada quando começou a escrever o texto. A única coisa que poderia afirmar, mas mesmo assim correndo o risco de grandes transformações ao ponto final, era de que escreveria sobre o amor.

*

Levantando-se, ascendeu um cigarro, pegou um café e pensou “tão clichê quanto escrever de óculos retro, ou escrever sobre o amor” e riu de se mesmo.

*

Talvez o amor não fosse o melhor assunto. Todos gostam de escrever sobre o amor, mesmo sem acrescentar nada de valioso ao assunto. E ele também não pretendia acrescentar nada. Soaria pretensioso. O que ele pretendia dizer era apenas que o amor talvez fosse algo menor, com menos importância e menos caloroso. “O amor é pequeno”, afirmou ele em voz baixa interrompendo seus pensamentos.

*

Depois de algumas dispersões ele voltou ao começo. Ele não estava satisfeito. Também não era para menos, o texto não fluíra. O problema era que ele tentava escrever sobre algo que desconhecia. Mas depois de tantos cafés e cigarros, o curso natural seria justamente um texto sobre o amor. E neste momento lhe veio à cabeça a idéia de que talvez o amor fosse um recomeço. Tudo o que já aconteceu repetindo-se indefinidamente. Loucura, ele sabia, mas se a paixão seria a sensação de descoberta e furor inicial, o amor só poderia ser a repetição dessa paixão indefinidamente. Talvez aí estivesse o gancho. Talvez ele devesse recomeçar o texto para que ganhasse vida. Talvez não apenas o texto devesse ser recomeçado.

*

Ele embolou o papel rascunhado sobre a mesa, jogou na lixeira, pegou uma nova folha e recomeçou a rascunhar.



7 comentários:

Suzi disse...

E o que é o amor senão a tentativa repetida de transformar em arte todos os esboços e rascunhos que vamos fazendo? O amor. Nossa obra prima. (que talvez ainda não tenhamos terminado...)

Priyath Asintha Wijerathne disse...


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Sônia Silva - O Universo dos Pensamentos disse...

Lindo poema!

Parabéns

sot77 disse...

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Clarinha disse...

São nos rascunhos que escrevemos as melhores coisas.
Tão clichê quanto o amor!

GOstei de saber que vc se formou em O.P. em Artes Cênicas. Tentei uma vez e fiquei na lista de chamada, então fui para o RJ e fiquei por lá.

Volta a escrever!!!


Visite-me!
Retalho de Histórias.
Estou voltando a escrever, o blog já existe á 6 anos! Deleite-se!

Cosmic Girl disse...

Parabéns pelo seu Blog!