quinta-feira, julho 30, 2009

Comprimido!


Os olhos pesados, as pupilas dilatadas. Lacrimejantes. A face escorre como tinta fresca. Deforma. Informa. Aos que olham, apenas a fumaça. Bafo quente de quem espera o sono tomar conta. Corpo exaurido, murcho. Sem líquidos. Sobre o colchão, papéis datilografados. Poesia incompleta; sentimentos pequenos. Acúmulo de desejos pouco sentidos. Sentimentos comprimidos e um comprimido. Na noite anterior, este mesmo corpo que escorre em si, estremeceu. “A poesia tem que sair do corpo em gozo”, pensava. Mas o tremor em corpo alheio não permaneceu a ponto da sensação penetrar por entre os poros. Fruição desconstruída. Efêmera. Tentativa frustrada de preencher com palavras ainda opacas uma folha amarelada. Sonolência e letargia. Frases frias e ásperas aportados em papeis sobre o lençol, a sensação interrompida pelo sono implacável, escurecem em efeito comprimido de uma sensação qualquer, escorrendo vagarosamente sobre o gozo sem efeito.

[renato ribeiro]

4 comentários:

Amanda disse...

Que texto espetacular, meu querido "Bacharel em Artes Cênicas". Leio sempre o seu blog e há algo doce em mim que se orgulha de te ver tão completo, tão artista, brindando o mundo com o talento que eu vi ainda muito antes de ser colhido.
Saudades, amigo.
Beijinhos,
Amanda

Carlos Renatto disse...

“A poesia tem que sair do corpo em gozo”... lindo!!!

Parabéns!

Walmir disse...

boa descrição, mano.
cuida bem das pernas pras correrias da vida.
paz e bem

Adélia Carvalho disse...

A escrita emerge como um gozo fluido e enérgico...Gosto dessa sua escrita que nos preenche de imagens e sensações. saudades de ler você...beijos