terça-feira, junho 23, 2009

Peixes e pássaros!

.
[imagens emprestadas]
.
Peixes assim como pássaros voam na imensidão do mar – pássaros mergulham. Uns afogam-se no ar e outros sufocam-se nas correntes das águas escuras e frias em que vivem. Peixes e pássaros procuram sempre por outros semelhantes para deslizarem por entre caminhos desconhecidos e quando perdidos se tornam presas fáceis de predadores maiores e mais espertos. Os pássaros assim como os peixes estão presos no que lhes servem como símbolo de liberdade. No ar e na água – os peixes afogam-se, os pássaros sufocam-se.
.
[renato ribeiro]
.
.
.
Confira o conto "Quando nos casarmos" do escritor e amigo Carlos Renatto.

quarta-feira, junho 10, 2009

Embarque e desembarque!

Embarques e desembarques. Toc, toc, toc. O salto do sapato ecoa longinquamente. Malas entupidas de pertences pessoais etiquetadas e carregadas ao bagageiro. Ali ninguém parece conhecer ninguém e nesse descaso de desconhecidos, salvam-se apenas acenos de cabeça. Sempre! Freqüência e rotina dos horários. Sempre! Mesmoshoráriosmesmasfeiçõesmesmos-nos. E o acaso fica por conta do toc, toc frequente. Toc...Volta apressada a mulher como se os segundos a engolissem e a regurgitassem. No fim das contas tudo se resume a isso: batidas de sapatos no lugar de conversações vazias. Motores ligados, todos se acomodam ligeiramente nos ônibus enfileirados. “Rumo à França com segurança!” – grita um apressado. E todos quase que no mesmo instante se entreolham. Desconhecidos e desconhecidos. Se fosse um embarque aéreo seria ainda mais inoportuno. De semelhança aparente entre eles apenas a pressa, a não ser que o ônibus de fato desapareça nas curvas da estrada, ou num verde oceânico de folhas queimadas pelo frio. E eu solitariamente sentado nos banquinhos da rodoviária, conservo meus olhares perdendo-se por entre rostos que se entreolham discretamente. MP3, MP4, MP5010, todos enganosamente disfarçam a curiosidade de saber os motivos pelos quais os horários se cruzam. Embarque na A. Desembarque na H e novas pessoas. Entre rostos desconhecidos um que sobressalta ao acaso, como se houvesse comigo hora marcada. Transporte. Trans. Porte. Calça jeans, camisa branca, boné, olhos translúcidos e fone de ouvido. MPalgumacoisa. Toc, toc, toc. E a mesmíssima mulher agita-se ainda mais ao encontrar este “porte” com um abraço invejável. A sensação de esperar o regresso talvez seja melhor que a de partir sozinho, ou a de voltar. Motores ligados. Embarque. “Rumo à França com segurança”, pensei silenciosamente comigo. Afinal, quando não tem por quem ir ou voltar, perder-se em novos ares soa tentador.
.
.
[renato ribeiro]

sábado, maio 23, 2009

"A megera domada"




"A megera domada"
Direção: Airá Fuentes
Atuação: Iza Lanza e Renato Ribeiro
Música: Fabrício Malaquias e Sabastião Nolasco
Iluminação: Camila Emílio
Cenário: Grupo Uai!
Fotografia: Ronald Péret e Kherian Gracher
.
.
Cena curta apresentada na V semana de artes - Defenda a sua arte da Universidade Federal de Ouro Preto. Vencedora na categoria melhor esptáculo.

domingo, maio 17, 2009

Tempo quente!

Um aceno pela conta. Tempo quente! Tudo em volta dissolvendo. Na padaria leio um jornaleco vagabundo. Jornal: R$ 0,25. De super e interessante nada. Nada que se possa levar a sério. Uma ou outra notícia enquanto futilidade perde-se de vista. Mas fazer o quê? O tempo precisa passar. Sobre a mesa: copo de plástico transbordando de café quente e ralo, o cinzeiro em brasas. Café + cigarros: R$ 4,25. De morno apenas eu. Na parede o relógio derretendo assim como em Dali, a minha volta pernas que trançam e olhares ao horizonte. Todos derretendo! E é melhor assim. De pernas e olhos estou cheio. Transbordando como o café ralo, amornado, amortecido, assim como as batidas em meu peito dissolvido. “Clima confuso”, ressalta a manchete do jornal que parece esfarelar-se em minhas mãos, como se fosse para mim um indicativo. O tempo precisa passar antes que tudo se misture e meu peito esfrie. Água no norte, geada no sul e os porcos: no espaço. Conta sobre a mesa: R$ 4,50 + uma caixinha de fósforos. R$5,00 de troco de uma nota de R$10,00 dissolvida. A solução talvez esteja em migrar para o sul. Em tempos frios eu pareceria arder, nem que seja por conta da gripe. Então as coisas deixariam de dissolver diante dos meus olhos como se a culpa fosse minha. Amornado, amortecido. E talvez seja! Mas fazer o quê, se o tempo queima e o dia dissolve continuamente?

domingo, maio 03, 2009

Em vermelho!

Tão grande e suave quanto os grãos de sal na água do mar.
.
aventura descompromissada no campo das imagens
[fotografia modificada assustadoramente no photoshop: renato ribeiro]

quinta-feira, abril 09, 2009

Ora pombas!


Merda! E o mundo despenca sobre nossas cabeças. Perece. Distraídos com o movimento da rua que os olhos dão conta de ver, esquecemos simplesmente de olhar para o alto. Aqui em baixo: pessoas com suas neuroses andando a passos largos. Visão fosca. Fusco. Ofusco. Fuscas. Motos ensurdecedoras. Deveria haver uma previsão de revoadas, assim como a da temperatura do dia seguinte. Utilidade mesmo a TV não informa. Fatalidade. Fatilidade. Futilidade. Afinal de contas, o mundo despenca sobre nossas cabeças e a única coisa que sei, é que amanhã fará 37°. O resto é distração. Ou provocação. Ou desilusão. Ora pombas! Sorte de quem está nas alturas. “Estamos começando mais um Jornal Nacional”, avisa o bar da esquina. Merda! Sorte dos animais que voam. Se tivesse uma arma em punho despencavam três. No ibope: subiriam três. O perigo mesmo estaria em errar e ter que lidar com a bala voltando rumo a minha testa. Cusparada de merda. Chuva de chumbo. Mais um ponto no ibope. Agora, com esta praga de pombo rodeando a minha cabeça, ponto mesmo, só escorrendo pela cara. Merda!
.
[renato ribeiro]

segunda-feira, março 30, 2009

No blog abaixo há um texto que achei super interessante. Vale a pena ler, nem que seja apenas por curiosidade.

http://nao2nao1.com.br/beijo-e-sexo-sao-coisas-que-nao-existem/

Céu!

Céu como os seus. Distraído! E eu o observo atento. Absorvo! Sentindo gotas distraídas caírem sobre o rosto, enxergando o pesado mover das nuvens encharcadas e ao pé do ouvido, o vento assobiando como se deixasse uma secreta mensagem. Seus! Desejaria respirar aliviadamente, como se os costas já não pesassem tanto e os olhos não tivessem mais a necessidade de abrir. Longo e abrasador, assim deveria ser ao olhar para o céu.

segunda-feira, março 23, 2009

Horas.

Hoje respirei os sabores do dia.
Sol,
vento,
chuva no fim da tarde.
Ingênua contemplação da beleza despretensiosa.
Sensação completa de gosto, de cor, de forma.
Sem ato ou efeito premeditado.
As horas,
estas transcorreram sutilmente.
O breu se firmou;
estrelas foscas, pouca cor na noite.
Ingenuidade minha pensar que duraria mais.

[renato ribeiro]

quinta-feira, março 19, 2009

Mistura.

La columna Rota - Frida kahlo