sexta-feira, setembro 02, 2011

Pés e Ipês.

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I
O inverno está indo embora, mas o ar insiste em manter-se frio. “É tempo de primavera!”, exclamou quase que num sussurro emudecido. Ipês roxos, rosas e amarelos deveriam cobrir as calçadas, escondendo as pedras desgastadas por sapatos duros e protegendo os pés descalços. Dar-lhes enfim, conforto.

II
Na sala quase escura ele ascende um cigarro e senta-se encolhidamente no sofá. Seu corpo está frio. A ponta do cigarro marca a trajetória de seu braço indo da boca ao braço do sofá, preenchendo o espaço que por hora encontra-se vazio.
O silêncio grita.

III
Seus pés descalços esperam os ipês florescerem.
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[renato ribeiro]

quinta-feira, agosto 11, 2011

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Domingo. Eu recostado no sofá. Copo cheio de café para espantar o restante do sono que pesa sob as pálpebras. O dia nublado. Feio. Copo pela metade. Pego o jornal. Do sofá volto para a cama. Assim é melhor, pelo menos não fico de mau humor. Folheio sem muitas expectativas. As noticias já estão velhas. Nada de novo no jornal de hoje. Greve. Novela. Acidente. Apenas domingo. No geral, os classificados me parecem ser o mais interessante. Talvez pela sensação de promessa fácil, ou de desejo delivery. Sem assombros. Sem sacrifícios. Sem castrações. Domingo!



“Procuro uma imagem. Destas que sejam verdadeiras. Genuína em sua textura. E de cor forte de preferência. Não quero nada que seja pré-fabricado. Poses laterais de pescoço virado. Quero ordem sim, mas nascida da própria sombra. Sombras! Embora a luz seja o fundamental. Bom gosto? Bom, gosto se releva. Gosto de relevos. Montanhas cheias. Ares e chão. Procuro uma imagem, apenas uma. Não precisa ser inteira, mas que pelo menos complete o pensamento. A Gestalt. Uma imagem apenas, seja ela em forma de pergunta ou resposta.”

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[renato ribeiro]